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Relações

Podemos Concordar em Discordar - Discordância e hostilidade são coisas diferentes

1 de Novembro de 2023 · 4 min de leitura

Somos atualmente mais de 8 biliões de pessoas, 8 biliões de mentes que concebem o mundo segundo a sua perspetiva pessoal. É fácil perceber que as visões que temos do mundo não serão sempre coincidentes. Não vamos concordar sempre e haverá momentos em que discordamos. Mas, será que sabemos discordar? Será que podemos concordar em discordar?

São inúmeros os aspetos do mundo atual em que se escutam opiniões diferentes. Há uma grande polarização de opiniões. Observamos que o contraditório, ao invés de enriquecer e expandir a conceção que temos do mundo, traz conflito e oposição. Pensar de forma diferente da “maioria” é quase heresia. Quem pensa de forma diferente pode ser, atualmente, marginalizado e apelidado de negacionista, conspiranóico, fóbico, etc.

Se, enquanto humanidade, nunca tivéssemos tido a humildade de ouvir e refletir sob perspetivas diferentes do mundo talvez a Terra ainda fosse considerada o centro do Universo ou talvez nunca tivéssemos saído das cavernas em luta pela sobrevivência.

A evolução só é possível quando há terreno fértil para o crescimento de novas ideias, novas perspetivas, novos paradigmas. Na sua ausência, ou no seu condicionamento, há estagnação.

É compreensível que precisemos de manter uma visão de mundo coeso, estável, organizado em que certas premissas são aceites como verdades “inabaláveis”. Um mundo assim permite uma perceção de segurança e previsibilidade.

Há, no entanto, que manter a flexibilidade e segurança necessárias para questionar os paradigmas vigentes, as convicções aceites, as verdades inabaláveis impedindo assim que se eternizem enviesamentos percetivos que se mantêm porque nunca foram questionados ou debatidos.

Precisamos de saber discordar sem hostilidade. Estar perante o contraditório não nos fragiliza, pelo contrário. Ao debater com alguém com uma ideia diferente induz ao pensamento crítico, à reflexão, ao aprimoramento da nossa argumentação. Podemos tranquilamente manter a opinião inicial ou, se fizer sentido, mudar a forma de pensar e abandonar aquilo que percebemos, então, ser um erro. Mantendo a opinião ou não, a existência de uma opinião contrária permite-nos evoluir e amadurecer.

Várias são as linhas de investigação que revelam como podemos discordar de forma produtiva e sem hostilidade. A Universidade de Harvard aponta um caminho em 6 passos para o conseguir.

1 – De forma amistosa reconhecer e aceitar que cada pessoa pode ter diferentes perspetivas.

2 – Revele respeito pela opinião do outro reconhecendo à partida que terá boas razões para pensar da forma como pensa.

3 – Peça ajuda ao outro para compreender o seu ponto de vista, dedique tempo a escutar os argumentos que estão na base da opinião do outro.

4 – Não reagir de forma ostensivamente negativa a perspetivas que lhe pareçam absurdas. Genuinamente procure clarificação e compreensão dando liberdade ao outro para expor a sua argumentação sem o condicionar com juízos de valor ou críticas. Nesta etapa é importante não discordar e apenas escutar.

5 – Quando o outro terminar a sua fundamentação de como chegou às suas conclusões agradeça a disponibilidade de partilhar consigo o que pensa. Reconheça como é difícil elaborar uma fundamentação quando se sabe à priori que haverá oposição e opiniões contraditórias. Reforce o respeito que a pessoa lhe merece.

6 – De forma amistosa refira que não está necessariamente persuadido a mudar de opinião podendo, nesta fase, apresentar a sua argumentação. Por último reconheça que estamos todos em processo e que todos aprendemos coisas novas todos os dias. Agradeça ao interlocutor tudo aquilo que partilhou consigo.

Esta sequência de 6 passos pode ajudar a discordar sem ser hostil. Sem dúvida que nalgumas situações pode ser desafiante quando aquilo que é referido surge como absurdo ou excessivamente bizarro, mas quando a pessoa com a qual discordamos é alguém importante para nós é um esforço compensador.

Em nome de um mundo pacifico, livre e diversificado podemos concordar em discordar.

Este artigo é psicoeducativo — ajuda a pensar, não diagnostica, e não substitui acompanhamento profissional. Se precisa de apoio imediato: SNS 24 — 808 24 24 24 (24h) · Emergências: 112.

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