A arte de escutar o outro – construir relações através da compreensão e empatia
1 de Fevereiro de 2024 · 4 min de leitura
Num mundo cheio de ruído e distrações a capacidade de escutar o outro pode ser uma forma eficaz de construir relações significativas e enriquecedoras.
Todos falamos e todos queremos ser ouvidos, mas quantos querem escutar verdadeiramente, com os ouvidos e o coração?
A escuta ativa é uma competência de comunicação que envolve mais do que simplesmente ouvir o outro. Envolve aspetos como a atenção não dividida, compreensão, empatia, interesse genuíno, presença e até intuição. Na escuta ativa há um esforço consciente e intencional, em que ativamente se pretende compreender o outro.
A capacidade de escutar ativamente pode ser desenvolvida e permite beneficiar muito as nossas relações e interações.
A escuta ativa facilita uma comunicação eficaz ao minimizar os mal-entendidos que a falta de atenção e a pressa induzem. Na escuta ativa, quem escuta pede clarificação, solicita explicação mais aprofundada, sumariza o que escuta para que não existam dúvidas entre aquilo que escutou e aquilo que o outro quis dizer.
A escuta ativa possibilita a construção de relações fortes e autênticas dado que quem escuta atentamente revela genuíno interesse e respeito fazendo com que os outros se sintam verdadeiramente escutados e compreendidos.
A escuta ativa tem um papel essencial na resolução de conflitos. Quando, num conflito, temos alguém que efetivamente tem como intenção escutar e compreender o outro, torna-se um elemento que facilita as soluções colaborativas em que ambos ganham.
Escutar ativamente os pensamentos e as emoções de uma outra pessoa revela empatia permitindo que o outro se sinta num ambiente seguro para partilhar o que sente e pensa. A escuta ativa promove o bem-estar e o suporte emocional de ambos os interlocutores.
A escuta ativa pode ser desenvolvida e para o fazer podemos ter em atenção a alguns aspetos como os enumerados a seguir.
1. Esteja atento – foque a sua atenção no interlocutor e elimine as distrações. Afaste o telemóvel, mantenha o contato ocular e mostre-se presente.
2. Use linguagem verbal e não verbal – forneça movimentos corporais e expressões faciais encorajadoras e reveladoras de interesse e atenção como aproximar-se ligeiramente, voltar-se para o interlocutor, esboçar um sorriso, etc.
3. Retorno / Respostas reflexivas – responda ao interlocutor parafraseando o que acabou de ser dito ou sumariando alguns pontos chave. O retorno permite que o interlocutor confirme o seu interesse e assegura que está a ser compreendido.
4. Peça Clarificação quando necessário – colocar questões revela interesse pelo que está a ser partilhado e permite que o interlocutor sinta que há um esforço genuíno em que a sua perspetiva seja compreendida.
5. Valide as emoções – reconheça e valide as emoções que se apercebe ao longo do discurso do outro. Aperceber-se das emoções do outro revela empatia e permite que o outro se sinta ligado, conectado e seguro.
6. Evite interrupções – permita que o outro se expresse sem interrupções. Interromper o discurso do outro pode bloquear a comunicação e revelar falta de respeito.
Num mundo em que a comunicação é frequentemente apressada e por isso superficial, a prática da escuta ativa permite manter e aprofundar as relações. Ao praticar esta competência podemos construir relações mais saudáveis, genuínas, baseadas na confiança e respeito mútuo navegando o mundo complexo das relações humanas com empatia e compreensão. Quando pretendemos relações autênticas e profundas a escuta ativa é uma prática essencial.
“Uma das necessidades mais básicas de qualquer ser humano é compreender e ser compreendido. A melhor forma de compreender as pessoas é escutando o que têm a dizer” Ralph Nichols (Investigador Americano e Autor na área da Escuta Ativa).
Este artigo é psicoeducativo — ajuda a pensar, não diagnostica, e não substitui acompanhamento profissional. Se precisa de apoio imediato: SNS 24 — 808 24 24 24 (24h) · Emergências: 112.