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mentes cristalinas

IFS explicado

O que é a Terapia IFS (Internal Family Systems)? Um guia em português claro

A Terapia IFS (Internal Family Systems) é um modelo de psicoterapia desenvolvido por Richard C. Schwartz que vê a mente como um sistema de «partes» — a que critica, a que protege, a que tem medo — e um núcleo saudável, o Self, capaz de as liderar. O trabalho terapêutico reorganiza a relação entre elas, com calma e sem julgamento.

Por Isabel Fernandes — Psicóloga (Cédula OPP 26660), Nível 3 do IFS Institute, o nível mais avançado da formação estruturada do modelo.

A Terapia IFS (Internal Family Systems, ou Sistemas Familiares Internos) foi desenvolvida pelo psicoterapeuta norte-americano Richard C. Schwartz. Parte de uma ideia simples, mas profundamente transformadora: todos nós possuímos um mundo interno composto por diferentes partes. Há uma parte que critica, outra que tem medo, outra que procura agradar, outra que quer desistir, etc. Todas fazem parte de nós.

Segundo o modelo IFS, estas partes não são o problema. Pelo contrário, desenvolveram-se ao longo da vida para nos ajudar a lidar com situações difíceis. O sofrimento surge quando algumas delas assumem papéis demasiado extremos, passam a liderar a nossa vida e perdemos a capacidade de responder às situações com liberdade, equilíbrio e clareza.

As três ideias fundamentais do IFS

Partes

Já reparou que, em certos momentos, uma parte sua quer avançar enquanto outra hesita? Ou que uma parte deseja descansar, mas outra insiste que ainda não fez o suficiente?

No IFS, estas partes não são apenas metáforas. São formas organizadas de sentir, pensar e agir que se foram desenvolvendo ao longo da nossa história. Cada uma tem uma intenção positiva, mesmo quando os seus comportamentos nos fazem sofrer. Em vez de combater estas partes, o IFS procura compreendê-las e ajudá-las a abandonar os papéis extremos que um dia precisaram de assumir.

Partes Protectoras

Muitas das nossas partes têm como missão proteger-nos de dores emocionais antigas.

Algumas procuram antecipar o sofrimento e evitá-lo através do controlo, do perfeccionismo, da necessidade de agradar ou da constante vigilância. Outras intervêm quando a dor já está presente, recorrendo, por exemplo, ao isolamento, aos excessos — seja de comida, trabalho, compras ou redes sociais — e às explosões emocionais para aliviar o sofrimento.

Embora, por vezes, estas estratégias criem novos problemas, no IFS elas são vistas com respeito e curiosidade. Em vez de perguntar "Porque faz isto?", perguntamos: "De que está esta parte a tentar protegê-lo?"

O Self

Uma das ideias mais originais do modelo IFS é a existência do Self, um núcleo saudável que todos possuímos, independentemente da nossa história de vida.

O Self caracteriza-se por qualidades como a calma, a curiosidade, a compaixão, a clareza, a coragem e a confiança. Quando está presente, consegue escutar todas as partes sem as julgar, compreendendo as suas intenções e ajudando-as a encontrar formas mais saudáveis de desempenhar o seu papel.

O objectivo da Terapia IFS não é eliminar partes da personalidade. É fortalecer a liderança do Self para que cada parte possa deixar de viver em permanente estado de alerta e recuperar o seu potencial natural.

Como decorre uma sessão de Terapia IFS?

À primeira vista, falar de "partes" pode parecer estranho. Na prática, porém, a experiência costuma ser bastante natural.

Ao longo da sessão, o terapeuta ajuda a identificar que parte está presente naquele momento, quais os seus receios, que papel desempenha e de que forma tenta proteger a pessoa. O ritmo é sempre respeitado, sem forçar experiências para as quais o sistema interno ainda não esteja preparado.

À medida que as partes vão sentindo confiança, torna-se possível compreender as suas histórias, aliviar o peso emocional que carregam e promover uma relação interna mais harmoniosa. Muitas pessoas descrevem este processo como uma experiência de maior paz, integração e liberdade interior.

Para quem pode ser útil?

A Terapia IFS tem vindo a ser utilizada em diversas dificuldades psicológicas, nomeadamente trauma simples e trauma complexo, ansiedade, depressão, autocrítica persistente, dificuldades relacionais, perturbações associadas ao apego e consequências de experiências adversas na infância.

Nas últimas décadas, o modelo desenvolvido por Richard Schwartz tem vindo a reunir um número crescente de estudos científicos e a ganhar reconhecimento internacional entre psicoterapeutas e investigadores. Embora nenhuma abordagem seja adequada para todas as pessoas ou constitua uma solução mágica, a investigação disponível sugere que o IFS pode ser uma intervenção eficaz para muitas pessoas, sobretudo quando integrado num processo psicoterapêutico conduzido por um profissional devidamente formado.

A formação de quem trabalha consigo

A Isabel Fernandes é psicóloga (Cédula OPP 26660), psicoterapeuta em formação pela Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas, com o Nível 3 do IFS Institute — o nível mais avançado da formação estruturada do modelo — e formação complementar em mindfulness, autocompaixão e trauma. Trabalha em Setúbal e online.

Perguntas frequentes sobre o IFS

O que significa IFS?

IFS é a sigla de Internal Family Systems (Sistemas Familiares Internos) — um modelo de psicoterapia criado pelo psicoterapeuta norte-americano Richard C. Schwartz, que trabalha as diferentes «partes» de cada pessoa e o Self, o núcleo saudável capaz de as escutar.

A terapia IFS funciona online?

Sim. O trabalho é o mesmo em sessão presencial (em Setúbal) ou por vídeo, com as mesmas garantias de confidencialidade.

Quanto custa uma sessão de terapia IFS?

Na MentesCristalinas, a sessão individual de 60 minutos custa 60 €, com recibo e possibilidade de comparticipação por seguros e subsistemas de saúde.

Quantas sessões são precisas?

Não há número fixo nem pacotes: o ritmo e a duração revêem-se em conjunto, com honestidade, desde o início do processo.

O IFS é adequado para trauma?

O IFS tem vindo a ser utilizado em trauma simples e complexo, ansiedade, depressão, autocrítica persistente e dificuldades relacionais. A adequação a cada pessoa avalia-se caso a caso — é para isso que serve a conversa gratuita de 15 minutos.

O IFS tem base científica?

O modelo tem reunido um número crescente de estudos e reconhecimento internacional entre psicoterapeutas e investigadores. Nenhuma abordagem serve todas as pessoas, mas a investigação disponível sugere que o IFS pode ser eficaz quando conduzido por um profissional devidamente formado.

Quer ir mais fundo?

A melhor forma de perceber se o IFS faz sentido para si é uma conversa — grátis e sem compromisso.

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