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Ponto de vista

A importância dos Valores

26 de Julho de 2026 · 4 min de leitura

Será talvez consensual perceber que a sociedade tem vindo a mudar cada vez mais rapidamente. Os valores que anteriormente manteriam o tecido social coeso e com algum equilíbrio parecem estar a desgastar-se e a enfraquecer. Estaremos simplesmente a transformarmo-nos enquanto sociedade para atingir um novo equilíbrio ou estaremos a entrar em desequilíbrio?

Numa sociedade movida à velocidade da internet, cativa das tendências ditadas pelos meios de comunicação social, parece existir pouco espaço para a reflexão de valores pessoais. O imediatismo que a internet permite, a diversidade de opções de diversão digital (filmes, séries, vídeos, jogos, …), o fluxo ininterrupto de noticiários, etc., induz forçosamente a um processamento acelerado da informação e, consequentemente, a uma superficialização. Há que cobrir mais informação em menos tempo logo não há tempo para aprofundar, refletir, pensar criticamente. Não há tempo para pensar em Valores e na importância dos mesmos.

"Palavra de honra" ouvi muitas vezes o meu Avô dizer. Dar a nossa "palavra" era suficiente para selar um compromisso nesses tempos. Sim, os tempos mudam, mas será que temos de abdicar de valores, que antes nos serviam, apenas para entrar na modernidade? Será esta a modernidade que ambicionamos? Será que refletimos sobre isso ou estamos a deixar-nos simplesmente levar pela corrente?

Na minha prática clínica constato como a ausência de um real e profundo questionamento sobre valores leva a um desnorte interior e, perdidos, navegamos por entre distração em distração, afastando-nos cada vez mais da terra firme.

Relações verdadeiras, carreiras enriquecedoras, segurança financeira e paz interior são apenas possíveis quando se vive em alinhamento com os nossos valores, i.e., com integridade.

A integridade surge quando o que pensamos e o que fazemos estão de acordo com os valores nucleares. Mas, como ser integro quando nunca nos questionámos sobre os valores que são importantes para nós?

Quando vivemos na ausência de valores pessoais acabamos por nos comportar e pensar de forma como os outros pensam ou atuam. A autenticidade única que temos perde-se e criamos uma vida que serve os valores de outrem.

Sem valores pessoais fortes, alicerçados numa reflexão pessoal profunda, é fácil sucumbir às distrações, às dependências, dedicando tempo e dinheiro a coisas que, na realidade, não nos preenchem.

A educação e a sociedade atual nem sempre constituem o meio propício para a reflexão e o pensamento critico. Na escola o ensino é muito dirigido para a memorização de factos e não tanto para a reflexão e criatividade pessoais. Na sociedade, nomeadamente nas redes sociais, o simples questionamento de algumas áreas pode ser considerado discurso de ódio. Há algum constrangimento para pensar livremente e isso pode ser um obstáculo importante para encontrar e expressar valores pessoais únicos.

Algumas questões podem ajudar para determinar quais os valores que são importantes para si:

  • Que qualidades admira nos seus amigos mais próximos?
  • Que valores mantém em si que existem ou existiam nos seus familiares?
  • Que gostaria que estivesse escrito na biografia da sua vida?

E por último:

O que é para si uma vida bem vivida?

Sem pressas e profundamente tente meditar sobre esta questão.

Cada um de nós terá respostas diferentes e pode incluir uma vida com amor, contribuição, presença, solidariedade, verdade, empatia, justiça, honestidade, ética, compaixão, respeito, liberdade, responsabilidade, honra, bondade, gratidão, confiança, paz, harmonia, alegria, amizade, autenticidade, clareza, coragem, sabedoria, perdão, esperança, fé, etc.

Depois de identificar os valores que melhor o definem adquira a coragem para expressar esses valores na vida do dia a dia. A sociedade não é aquilo que as redes sociais escrevem ou o que a televisão diz, a sociedade somos todos nós. O que faz, o que expressa, o que é constitui o legado que todos nós deixamos neste planeta. Que valores vamos deixar para as gerações vindouras?

Este artigo é psicoeducativo — ajuda a pensar, não diagnostica, e não substitui acompanhamento profissional. Se precisa de apoio imediato: SNS 24 — 808 24 24 24 (24h) · Emergências: 112.

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